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Associemo-nos a Cristo, morto e ressuscitado

Caríssimos irmãos e irmãs em Jesus Cristo, alegria e paz!

Neste 4º Domingo da Quaresma, tendo já atravessado a maior parte do “deserto” e estando mais próximos da terra prometida que é a celebração da Páscoa do Senhor, escutamos o Apóstolo: “Desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá.” (Ef 5,14)

 

Esta exortação sintetiza o horizonte para o qual o tempo quaresmal nos encaminha, domingo a domingo, passo a passo: recuperar em nós a beleza da transformação pascal realizada outrora por ocasião do Batismo. Impelidos pela Palavra de Deus nossa comunidade paroquial, em comunhão com toda a Igreja espalhada no mundo, procede com uma profunda revisão de vida. Como já dissemos noutras ocasiões, os exercícios da oração, do jejum e da caridade nos auxiliam na redescoberta da luz de Cristo, descortinando em nós a intimidade e obediência à vontade salvadora de Deus (oração), a liberdade frente aos desejos e necessidades (jejum), a bondade divina operante e operosa (caridade). Maravilhosa pedagogia que a Igreja disponibiliza neste tempo de graça e conversão, a fim de que os frutos da luz se tornem manifestos: bondade, justiça e verdade. (Ef 5,9)

 

Quero, então, neste mesmo espírito, convoca-los à inteligência da fé, seguindo a sugestão do mesmo Apóstolo: “Discerni o que agrada o Senhor.” (Ef 5,10) É verdade que meus olhos se regozijam por reconhecer que, assim como as alegrias e tristezas são fonte da poesia e portanto, da realização da beleza (Adélia Prado), nossa vida como cristãos e cristãs na Paróquia São Sebastião e São Vicente com suas virtudes e dificuldades é legítimo testemunho de nosso despertar pascal. Entretanto, não posso negar que meu olhar de pastor capta com infelicidade alguma tendência à maldade. Fico perplexo, sobretudo, quando tal associação às obras que não são da luz (cf. Ef 10,11) se mostram dentre aqueles que são tão íntimos e próximos do Evangelho. Serão vítimas da sedução das trevas, quando se deixam envolver pelas intrigas, fofocas e empenhos que em nada edificam a Igreja de Cristo, mas contribuem para o desgaste de seus membros e enfraquecimento de seus vínculos? Seguidoras e seguidores da Lei de nosso Senhor (o Amor!) que se tornaram ressequidos na fé porque se nutrem das verdades que seus corações fabricam?

 

Mas, ainda é tempo de voltar o coração para o Senhor. E, para que este desejo da Igreja para todo crente no Evangelho se faça verdade em nós, nos perguntemos “a que obras ando me associando? O que minha língua se ocupa de espalhar? O que minhas mãos tem derrubado e edificado na comunidade da qual participo? Quais os senhores aos quais sirvo, que dividem minha atenção, meu coração, meus afetos e empenhos? Que verdades tenho forjado, das quais me convenço, embora não coincidam com os fatos e sobretudo com os pensamentos de Deus (cf. oração depois da comunhão do 4º Domingo da Quaresma)? Quais os efeitos de minhas posturas no seio da comunidade, de minhas ausências nas assembleias dominicais em memória do Senhor…” . Solicito de todos nós – a começar de mim mesmo – este exame de consciência, para que não nos seja aplicada a sentença de Cristo: “'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece.'” (Jo 9,41)

 

Com os sentimentos de Cristo Jesus,

Pe. Márcio Pimentel

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